terça-feira, 23 de março de 2010

Almir só aceita concorrer se for pelo governo

Após palestra na Associação Comercial do Pará, o ex-governador Almir Gabriel reafirmou que não procedem as informações de que estaria trabalhando para ser candidato ao Senado. “De jeito nenhum. Senado nunca mais”, disse ele, que foi Senador Constituinte.



Gabriel afirmou, contudo, que aceitaria ser candidato ao governo do Estado. Almir tem reunido lideranças de vários partidos para conversar sobre os rumos do Pará e afirmou que ainda não sabe quem apoiará ao governo. “É muito cedo”. Mentor do pré-candidato tucano ao governo, Simão Jatene, o ex-governador está rompido com o PSDB, partido que ajudou a fundar e do qual anunciou desfiliação em carta divulgada em dezembro do ano passado.



Ontem, Gabriel confirmou que continua filiado ao PSDB e ao ser indagado se deixaria mesmo o partido como anunciado, disse que “tem momento e local certos para isso”.



O ex-governador proferiu palestra com o tema “Governo e Desenvolvimento” na sede da Associação Comercial do Pará. Para a plateia formada por cerca de 100 pessoas, denunciou que alguém teria ficado à frente do prédio cobrando convite o que teria feito com que cerca de 50 interessados voltassem sem ver sua fala. Gabriel afirmou saber quem estava na porta e quem mandou, mas não citou nomes.







FOMENTO



Na palestra, o ex-governador defendeu a criação de uma Secretaria de Fomento no Estado e disparou críticas contra a Vale, maior empresa com atuação no Pará e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que segundo ele quer mandar no Pará com ajuda do presidente da empresa, Roger Agnelli. Criticou também a Federação das Indústrias (Fiepa), entidade que segundo Almir “não sabe o que quer”.



Indagado pela plateia sobre o que pensa dos movimentos que defendem a divisão do Estado, o ex-governador disse ser contra a criação de Carajás. “Carajás é nosso e nunca vai deixar de ser”. Segundo ele, a defesa desse Estado é feita por “lideranças que não conseguem passar de deputado federal e querem governar um território financiado pela Vale”.



Almir disse, contudo, achar inevitável que em 12 a 16 anos seja criado o Estado do Tapajós e o território de Monte Alegre que reuniria municípios da região à margem esquerda do Tapajós. Para isso, defendeu que os vice-governadores venham dessas regiões para irem sendo preparados para assumir um futuro governo do novo Estado.



Sem poupar críticas à Fiepa, Almir disse que o comércio deveria assumir junto com os trabalhadores o comando de um movimento em defesa do Pará. Esse movimento teria como objetivo forçar as grandes mineradoras que atuam no Estado a beneficiarem a matéria-prima aqui. “Uma tonelada de bauxita custa R$ 50. O produto acabado custa R$ 3 mil. Se tivéssemos verticalização, não precisaríamos nos preocupar com a taxação da matéria-prima. Taxaríamos apenas o produto acabado”.



Dizendo ser um homem “moderno, mas não contemporâneo, adepto da lapiseira e do papel quadriculado e do tipo que não se acostumou ao computador”, Gabriel fez uma palestra recheada de números. Falou do Produto Interno Bruto e dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). (Diário do Pará)

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